Entrando Em Um Mundo do Tênis Sem Juízes de Linha
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Entrando Em Um Mundo do Tênis Sem Juízes de Linha

Eric Sanchez
Eric Sanchez

No Australian Open deste ano, o mundo do tênis aproveitou outro evento de grand slam que pôde ser realizado, que, com exceção dos 5 dias de paralisação obrigatória pelo governo regional, desfrutou da presença de pelo menos alguns torcedores.

Esta foi uma grande e bem recebida melhoria, já que o primeiro evento de grand slam do ano é amplamente considerado como o grand slam mais divertido, que serve de vitrine para a acolhedora e bela paisagem urbana de Melbourne no verão Australiano (o evento geralmente ocorre em Janeiro, mas foi adiado devido a pandemia). Os torcedores, vestidos em seus confortáveis e descontraídos trajes de verão, juntamente com seu entusiasmo pelo esporte, não apenas por jogadores Australianos, sempre acrescentam o sentimento de entusiasmo àqueles que assistem pela TV.

Se você conseguiu sintonizar e assistir um jogo, você pode ter sido tentado a colocar o dedo em algo que você sentiu que estava diferente. Pela primeira vez no cenário mundial não haviam juízes de linha para gritar "out" ou "fault" - em vez disso, vozes humanas pré-gravadas dos assistentes foram utilizadas para vocalizar as chamadas que foram decididas em tempo real pelo sistema automatizado do torneio.

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A COVID-19 acelerou em talvez uma década a adoção de processos e tecnologias, alguns para o mal, outros para o bem, e a adoção de chamadas de linha em tempo real do tipo Olhos de Águia em jogos reais de competições de tênis é definitivamente um desses avanços. Estrear em um evento tão significativo quanto esse só aumenta o impacto disso para o mundo do tênis, o que acredito que tornou-se o catalisador de todo grande evento, e qualquer evento ou instituição que possa pagá-lo, a adotar este mesmo modelo.

Por anos, jogadores, comentaristas, e torcedores (tanto no estádio quanto em casa) já aceitaram de formas diferentes a precisão e, duvide ou não, a autoridade das chamadas eletrônicas de linha, no caso de desafios dos jogadores. Semelhante à forma com que outros esportes concedem aos times um certo número de desafios incorretos por jogo, jogadores ou duplas, quando a tecnologia estivesse disponível, poderiam desafiar as chamadas de linha, até mesmo aquelas que foram originalmente rejeitadas pelo juiz de cadeira.

Isso definitivamente não parece ter trazido nada além de benefícios para o jogo de tênis; os jogadores não teriam que se remoer por conta de uma chamada que eles acreditam estar totalmente errada, este é um momento de expectativa para os fãs verem qual foi a "verdade" da questão quando o desafio foi feito, jogadores e torcedores não teriam que imaginar "e se" - contanto que aceitassem a precisão e perspicácia do sistema.

Ostensivamente a primeira e principal razão para a ausência dos juízes de linha ao longo do Australian Open neste ano foi por conta do distanciamento social - foi uma maneira de permitir aos jogadores e crianças gandulas (muito mais difíceis de substituição no momento) estarem na quadra com pelo menos 1,8m de distância entre eles algo muito mais fácil de ocorrer.

Ainda permanecem perguntas que, à medida que o mundo do tênis caminha neste novo capítulo, precisarão ser respondidas. O que ocorre se a tecnologia falhar e não estiver disponível (o que já aconteceu em desafios anteriores)? O juiz de cadeira (que está, como hoje, ainda dirigindo jogo, anotando o placar e reforçando outras regras) pode prevalecer sobre o sistema automatizado se tiver certeza que viu a bola de uma maneira específica? As faltas com os pés ainda serão vistas (tanto pelo homem ou pela máquina)?

Quando toda confiança é colocada em um sistema, apresenta não apenas uma única fonte de falhas, mas um único ponto de entrada ou fonte para manipulação massiva. O que aconteceria se um hacker intencionalmente alterasse o algoritmo ou os processos internos que o sistema utiliza para fazer as chamadas, e ninguém no mundo soubesse disso fora ele? Quais processos internos ou auditorias existem ou podem ser colocados em funcionamento para garantir a integridade e impor confiança para cada chamada, independentemente do próprio sistema?

Dito isto, é necessário pontuar que esses sistemas automáticos possuem uma margem de erro (eu soube de cerca de 5mm para os do Australian Open). Obviamente, os fornecedores de tecnologia gostariam de melhorar ao diminuí-las, sabendo que um torneio que investiria em tal sistema gostaria da menor probabilidade de margem de erro, para atrair mais e mais jogadores a escolher jogar em seu evento. Eu acredito nisso porque essa margem é compartilhada ao longo de todo o torneio, e pode ser considerada aceitável.

Uma das razões para os desafios eletrônicos não serem adotados nos torneios de quadra de saibro foi por conta que a margem de erro, provavelmente por conta do terreno irregular e granuloso, era muito grande para ser aceitável. No saibro, jogadores e árbitros sempre tiveram a possibilidade de verificar a marca para ver se a bola caiu na linha ou não (mas não é inédito qual marca foi a verdadeira marca na questão contestada).

Na minha opinião, uma margem de erro consistente é preferível do que um erro humano neste caso, algumas vezes as chamadas humanas são erradas por apenas um pouco, e você nunca saberá quando este tipo de erro será feito. No baseball, quando o juiz da base principal está chamando certos arremessos que podem estar tecnicamente fora da base que você vê criadas na sua tela de TV, arremessadores, rebatedores, e técnicos tendem a aceitar isso contanto que o juiz seja consistente ao longo do jogo, desconsiderando o lado que está rebatendo ou arremessando - consistência permite o jogo prosseguir sendo jogado sem nenhum lado se sentir roubado. Quem sabe, talvez o juiz da base principal esteja próximo de ser substituído ou pelo menos ignorado por bolas tecnológicas e sistema de chamadas de strikes.

Conforme vamos mais longe nessa estrada, que na minha visão já está estabelecida em deixar os juízes de linha como relíquia do passado, o que o tênis será por conta disso? Como primeira exposição ao ver um jogo com esta tecnologia, me pareceu que o jogo trouxe um pequeno elemento de ambiente de videogame, quase como realidade aumentada (AR), para o tênis. Pareceu futurista, e eu gostei disso.

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Quais poderiam ser as possíveis implicações para a larga adoção dessa tecnologia, mesmo para os parques públicos e torneios regionais ou de base? Pode ser que os jogadores fiquem ainda mais satisfeitos com a experiência de jogar, porque o elemento do erro humano ou a animosidade que poderia destruí-los provavelmente foi retirado. Tempos de jogo podem diminuir (menos reclamação, o processo de desafio não será tão longo como se não existisse). Na televisão, colegas de transmissão podem ter mais tempo para comentar ou fazer anúncios, talvez aumentar o interesse e/ou o investimento nesse esporte.

O tênis pode ser um dos primeiros esportes globais a adotar esta tecnologia em muitos ou todos os eventos profissionais, o que pode se tornar um ponto de curiosidade e intrigar o mundo e levar mais pessoas a praticar o esporte e se tornarem fãs. Pelo tênis ser um esporte onde é possível se exercitar e manter o distanciamento social, o envolvimento parece que está crescendo. Essa nova adoção de tecnologia que coincidiu com, e pelo menos em parte devido a essa pandemia sem precedentes e experiência compartilhada - parece ser uma vinheta de desorientação e mudança, mas também de oportunidades não antecipadas, que o mundo de hoje nos apresentou.



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